As vezes a gente encontra por esse mundo louco , pessoas incriveis , que tão novas se mostram tão evoluidas e com uma visão tão ampla .Conheço alguem que é muito mais novinho que eu mas esta a 10 anos luz na minha frente ,e que me fez sentir com suas palavaras algo parecido com que sinto com meu querido Fernando Pessoa .Descobri que esse figura alem de contar as melhores historias de aventuras na amazonia ele tem ainda o dom de escrever com a alma ou melhar ,como ele mesmo diz a alma dele que o usa , pois bem vai ai alguns dos tesouros desse ser tão iluminado , ainda veremos algum livro dele por ai ... Que Fernadinho me perdoe , mas hoje eu o coloco no mesmo degrau.
Ode a mim mesmo
Cansei de ser eu mesmo, estereotipo padrão de uma sociedade calva. Cansei de ser quase bom, ou de ser mais ou menos engraçado. Cansei de ser meio, que se faça direito, quero ser todo inteiro. Não podemos viver nossas vidas pela metade, pior ainda quando a vivemos mais ou menos inteira. Cansei de ser quem agora eu sou, seja lá quem for. Cansei de ser todo silencio e para toda luz eu sempre fui a escuridão. Não pretendo me tornar o Sol ou fazer de minha vida um grito ecoando pelos vales do mundo. Serei simples ser, criatura de um ser alguém. Serei muito mais do que fui agora, serei alguém que não brilha, mas que com a luz que recebe faz bonito o seu viver. Mas também me abomina a idéia de ser como a Lua, que vive escondida e só aparece quando a luz resolve descansar, mostrando seu brilho tímido aos apaixonados sem par que vagam pela noite imaginando na Lua uma amante. Quero ver nos homens os simples homens que sim são. Ser assim como os homens não são, mas ser, mesmo assim, homem. Ser o homem que metade de mim ainda não é, a mesma metade que falta para o mundo ver que todos os homens tem a mesma raça sim. O que nos falta é a metade daltônica de uma sociedade material e um bom programa para se fazer aos domingos. Quero ver as mulheres diferentes dos homens. Quero vê-las tão bela e admira-las por serem mulheres. Quero ver a todas como amigas, mas só em uma quero sentir que se eu olhar também estarei sendo visto e amado por amar também. Qualquer mulher sabe que a caça não adianta nada se não tem quem a prepare. Por isso todo o ódio ao ser homem sem ser mulher e todo o desejo de ser todo homem e mulher. Duas metades que formam um tudo de dois inteiros. Cansei de olhar no espelho e ver a mim mesmo. Cansei de ser toda hora um, nem sempre o mesmo, mas sempre igual. Toda a vida fui palhaço de minha história, vivendo um momento que ainda não havia chegado, toda a afirmação é verdadeira desde que não caia em contradição e foi justamente na contradição que vivi minha meia-vida. Sempre fui eu, mas escrito por mãos diferentes. Agora sou simples e qualquer, mas sou eu, e somente eu, que escrevo minha história e por causa disso é que só eu posso fazer de minha história algo mais. Meus membros enfraqueceram de tanto eu pensar, meus sonhos já foram todos sonhados e o que me resta agora é a ação. Fazer o que sonhei, ainda não. Dormir com a consciência limpa por ajudar quem não tinha ajuda e sonhar um sonho egoísta que me força a invejar quem tem mais do que eu. Eu não sei nada e vou morrer na incerteza das perguntas, mas com a certeza de que nada sei. A vida é a filosofia de quem não tem mais o que fazer, vivê-la é luxo de quem pode. Enquanto isso aqui na terra a gente sobrevive como pode e só vive a metade que não se diverte fazendo a vida ser mais triste que a morte, porque pelo menos nela a gente descansa.
Fausto de Oliveira Gomes(02 de janeiro de 2006)
Qualquer coisa
Dito e feito. Antes feito e nunca dito do que dito, repetido, prometido e nunca feito. Mas se foi dito e feito a premiação vai para o profeta que apostou suas palavras na roleta dos homens. Se foi feito e nunca dito nada é, mas se depois de feito é dito e por anos repetido vira dogma de fé.
Essa é a história que um ser algo não humano me contou sobre o valor que a palavra de dentro tem. Porque certo dia, certo de mim, eu, certo da vida, ouvi alguém que na incerteza da mesma me pedia socorro. Só ouvi, não sabia de onde vinha e assim como podia ajudar?
Não posso ser culpado por não ter ajudado a quem, naquela hora, precisava de mim. Quantas vezes você num dia não nega algo. Tenho certeza que no mínimo centenas, afinal aceitar ou fazer qualquer coisa é automaticamente negar outras muitas possibilidades de ações.
Não. Sim. Assim não e não sinta quase nada agora. Mas quando algo que não é o que não sou disse não, eu quis dizer sim. E então me tornei um, que não é outro, nem o resto que nunca fui. Éramos dois, mas mesmo assim éramos eu mesmo, uma completa teimosia de eu mesmo para comigo outro.
A vida passa e com ela o vento leva tudo o que não me interessa. Tentei segurar o que era certo em mim, mas minha certeza se transformou em erro e meu erro em gargalhada que o outro que não sou eu nem todo o resto fazia questão de gargalhar. Senti-me então como da vez em que uma pedra de incerteza entupiu o gargalo da minha alma me transformando num recipiente vazio.
Por anos, muitos anos (mas na verdade segundos) vivi essa completa coisa vazia que então eu era. A incerteza do destino e o medo do futuro me deram certeza na vida, enchendo o meu corpo de qualquer coisa que estava longe de ser nada. Agora eu era um vazio cheio de coisas. E na dualidade da minha vida aceitei ser o que o outro-também-eu queria . Tornamo-nos um só, com um só desejo, mas agora já era talvez tarde e somos então esse um, esse cheio de coisa, mas também estamos perdidos, perdidos de nós mesmos e perdidos do que nós poderíamos ter sido.
Ainda somos, mas somos outros que ainda sonham um com outro. Somos um que não outro: Dois.
Fausto de Oliveira Gomes(05.02.2006)
Escrito por Fadinh@@ às 21h20
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Me incorporei numa galera que habita dentro de uma casa só , uma figura de gemeos , talves aquelas figurinhas de album que todo mundo corre atras porque são as mais dificies de achar ... não vou dar nomes aos bois , se a carapuça servir a vista . ahahahaha.
Na dualidade existente em mim
Coexiste a que dorme e a que acorda
a que grita e a que se cala
Tenho por cada olho uma percepção
Por cada ouvido um conselho ,
E o cérebro por vezes entra em pane de tantas informações
Falar, escrever preciso botar tudo isso pra fora , é tanta coisa ,
Tem hora que gosto das duas ,tem hora que de nenhuma
Mas preciso das duas pra sobreviver,
Elas sãos extremos que me levam ao equilíbrio
Como o mar revolto ou em calmaria
Como a chuva escassa ou enchentes ...
Então a dualidade não me divide
Mas me torna inteira .
Essa dualidade se acasala e nasce uma terceira de mim.

Escrito por Fadinh@@ às 21h46
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